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DIREITO E JUSTIÇA – 30 DE ABRIL

qui, 30 de abril de 2026 08:00

A História; e o Brasil não aprende com ela…!

 

À esquerda:    A ganância incontida precedeu o caos financeiro.

À direita:         Rui Barbosa e o seu “malabarismo” populista.

 

 

À guisa de alerta ou advertência:

– Eu sei perfeitamente bem que este artigo que lhes trago agora, talvez ou certamente, não será do agrado da maioria, ou do interesse de uma boa parcela dos leitores desta Coluna DJ, que se preocupam muito mais com outros assuntos peculiares aos dias de hoje.

 

– Todavia, eu quero dizer-lhes que a escolha semanal dos temas sobre os quais eu possa ou deva debruçar-me é feita quase sempre “em cima da hora” de enviar o texto para sua publicação na quinta-feira subsequente. Além disso, a opção por este ou aquele assunto vem-me à mente como que numa “revelação”, um “insight”, ou seja, fora ou acima do meu controle e da minha capacidade imediata de escolher, aceitar, rejeitar e deliberar. Surgem, eis tudo…! E assim continuará sendo…!

 

– Sem querer desmerecer ou desapreciar quem quer que seja, chegou a hora de expressar-lhes claramente que eu escrevo “muito mais para mim mesmo” do que para todos vocês ou “os outros”. E isso não é ruim; pelo contrário, é até muito bom, pois preserva e alicerça a minha liberdade intelectual, que não tem sofrido quaisquer interferências externas ao longo de todos estes anos de publicação semanal nas páginas deste prestigioso e octogenário jornal, que é a Gazeta do Triângulo.

 

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A História; e o Brasil não aprende com ela…!

A Crise do Encilhamento:

A Crise do Encilhamento foi a primeira grande crise (ou debacle) financeira da recém-proclamada República Brasileira (ocorreu entre 1889 – 1891), marcada por uma bolha especulativa (previsível, ruinosa e descontrolada), inflação galopante e falências bancárias e empresariais generalizadas, ocasionadas por uma política governamental de emissão (incompetente e irresponsável) de papel-moeda (oficial e particular ou privado) e crédito fácil (endividamento / juros estratosféricos). O termo Encilhamento, de caráter pejorativo, faz alusão ao “encilhar” (preparar) cavalos para corrida, comparando a especulação na Bolsa de Valores com apostas no hipódromo.

 

Significado e objetivos:

Contexto: transição da Monarquia para a República (República da Espada, comandada pelo Exército) com a necessidade premente de afirmar-se, modernizar e industrializar a economia, acabando com a escassez de bens e moeda circulante.

Objetivo de Rui Barbosa: como Ministro da Fazenda de um novo regime, Rui Barbosa visava incentivar a industrialização maciça e rápida do país, aumentar, facilitar e generalizar o crédito, substituindo a economia cafeeira e elitista por uma base manufatureira sólida e diversificada.

O “Encilhamento”: pretendeu fortalecer o novo regime republicano através de uma política financeira que possibilitou a emissão descontrolada (para dizer o menos) de papel-moeda por bancos privados, a facilitação do crédito e incentivos fiscais, propiciando a criação de empresas irreais (as “empresas-fantasmas” sem produção real ou qualquer lastro), ocasionando uma euforia especulativa incontrolável e que logo levou à quebra e ao colapso finais de todo o sistema.

 

O Alcance da Crise:

Bolha especulativa: o governo patrocinou uma política financeira expansionista através da adoção de medidas especulativas, imediatistas e populistas com a criação de centenas de “ empresas-fantasmas”, criadas apenas para especular com ações na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (então a capital do Brasil e maior centro financeiro).

Colapso financeiro: a falta de lastro hábil (garantias suficientes em terras, imóveis, ouro ou uma riqueza real) para o dinheiro emitido exageradamente gerou desconfiança, descrédito, desmoralização e inflação galopante, resultando em caos financeiro, na quebra de empresas e na queda abrupta e irreversível do valor das ações.

Inflação e Custo de Vida: a quantidade excessiva de dinheiro em circulação – conforme seria de se esperar — causou uma alta descontrolada nos preços, desvalorizando salários, exacerbando o custo de vida, provocando instabilidade social e carestia.

 

Consequências:

Inflação Galopante e Recessão: aumento severo do custo de vida e desvalorização da moeda, colapso do mercado de ações e da economia em geral.

Falências: colapso generalizado de empresas e instituições bancárias.

Instabilidade Política: as medidas do governo terminaram por constituir-se num autêntico “tiro pela culatra”, gerando a perda de confiança da população no sistema financeiro, o agravamento das desigualdades sociais, e impactando negativamente a economia do país por muitos anos, além do enfraquecimento insuperável e insustentável do governo de Deodoro da Fonseca, contribuindo para sua renúncia em 1891.

Aumento da dívida pública: grande e permanente endividamento do Estado, sem nunca haver uma solução adequada e definitiva, fazendo com que a dependência de empréstimos externos e pagamento de juros perdurem insolúveis até hoje.

Impacto Social: prejuízos para pequenos investidores e agravamento das desigualdades sociais já existentes no país e herdadas dos governos colonial e imperial.

 

            Responsáveis:

Rui Barbosa: na qualidade de Ministro da Fazenda do Governo Provisório, é o principal nome associado àquela política monetária expansionista e ruinosa, embora também tenham passado pelo controle financeiro (ainda no Império) o Visconde de Ouro Preto e o Barão de Lucena. No entanto, foi ele quem acelerou a emissão de papel-moeda sem lastro, facilitou a criação das empresas-fantasmas e liberou crédito de forma descontrolada para tentar industrializar o Brasil rapidamente. Um grande jurista brasileiro (se não o maior de todos os tempos), mas certamente um péssimo Ministro da Fazenda.

Governo Deodoro da Fonseca: a equipe de governo que permitiu a emissão monetária (oficial e privada) sem controle, talvez pretendendo consolidar e democratizar rapidamente o novo regime republicano, ultrapassando os feitos do Segundo Império sob a liderança segura e carismática o Imperador Dom Pedro II (1840 – 1889).

 

Conclusão:

A Crise do Encilhamento só começou a ser amenizada com o retorno a políticas monetárias mais restritivas, sérias e consolidadas pela prática comedida e prudente, iniciadas nos anos seguintes, especialmente sob o governo de Prudente de Morais. Mas, deixou marcas profundas e indeléveis, embora os governos posteriores tenham feito mais questão de negar, dissimular ou diminuir os seus danos e consequências do que de conceder-lhe um local justo, adequado e de destaque nos livros de História do Brasil.

 

FONTES:      GOOGLE e GROK (a IA do X, ex-twitter).

(Fiz alterações e acréscimos próprios)

Comentário Pessoal:

Além de repetir pela undécima vez que “a História se repete e, por vezes, da pior maneira possível, consoante já diziam os Gregos Antigos, acrescentando também que “aqueles que não a estudam ou que se recusam a aprender com ela, muita vez, destroem povos, nações, países e até a si mesmos”, digo-lhes que chegou a hora de escancarar algumas “verdades nuas e cruas”

A primeira “verdade nua e crua”:

É a de que o Brasil é um país teimoso, avesso a mudanças sérias, a responsabilização por abusos, corrupção, desmandos e desvios de qualquer sorte, preferindo as coisas mais fáceis e rápidas às mais difíceis e demoradas. Por isso, somos e seguiremos sendo “o país do futuro”.

A segunda “verdade nua e crua”:

O Brasil é um país de memória realmente muito curta, que faz e desfaz as coisas na maior das facilidades, que valoriza o supérfluo, que se ocupa com ninharias e que pouco se importa com o bem-estar da sua população desde que a elite governante e delirante esteja vivendo no luxo e na folga. É a doutrina do “panem et circenses” (pão e circo), do carnaval, do futebol, da jogatina, da educação fraudada e pífia, de coisas assim que impedirão o deslanche do ”nosso país”.

A terceira “verdade nua e crua”:

A Proclamação da República não passou de um golpe de Estado oportunista, perpetrado contra o Imperador Dom Pedro II (já cansado, doente, que preferia ter sido professor) e que nestes quase 140 anos passados mais prejudicou o Brasil do que o favoreceu no concerto das nações. Sim, eu nutro uma enorme simpatia pela possível e eventual restauração da monarquia brasileira, chamando-se ao trono o “herdeiro legítimo” da Casa Imperial Brasileira. Pelo menos, reimplantando-se a monarquia parlamentarista (com o Poder Moderador), acabar-se-á com essa bagunça presidencialista vigente a que chamam de “presidencialismo de coalizão”.

Aliás, até o GROK (a IA do  X, ex-Twitter) “reconhece” a podridão do sistema:

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GROK:            “É isso mesmo, chamam de presidencialismo de coalizão. O termo foi criado pelo cientista político Sérgio Abranches em 1988. No Brasil, o Presidente é eleito direto, mas o Congresso é superfragmentado – mais de 20 Partidos, nenhum tem maioria sozinho. Então, para aprovar qualquer coisa, o governo tem que negociar uma base aliada, distribuindo ministérios, cargos e emendas para esses Partidos em troca de votos. Funciona como um parlamentarismo disfarçado: o Presidente não governa sozinho, tem que fazer coalizão o tempo todo. Dá governabilidade, mas o custo é alto — muito fisiologismo, troca de favores e dificuldade de fazer reforma de verdade”.

 

 

Finalizando. Eu creio, e afirmo, que não é preciso ser muito perspicaz, para perceber que a situação geral existente hoje aqui no Brasil assemelha-se muito àquela da época da Crise do Encilhamento, apenas se diferenciando em meras nuances ou minúcias, mas que terminará por levar o país ao colapso e à debacle finais. Não vou detalhar, pois quem viver verá.

Araguari – MG, 30 de abril de 2026.

Rogério Fernal .`.

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