Novo acidente grave expõe falta de estrutura da MG-413
qua, 25 de fevereiro de 2026 08:00Da Redação

Legenda: Rodovia continua perigosa e enfrenta antigos problemas estruturais.
O grave acidente registrado no início da tarde de segunda-feira, 23, que resultou na morte de um homem e deixou uma mulher ferida, volta a acender um alerta que há anos preocupa motoristas e moradores de Araguari. A MG-413 segue sendo uma das rodovias estaduais mais perigosas que cortam o município.
A tragédia não é um fato isolado. Ao longo dos anos, a MG-413 acumula ocorrências que revelam um padrão preocupante de acidentes graves, muitos deles com vítimas fatais. A combinação de pista estreita, ausência de acostamento e trechos sinuosos transforma qualquer descuido ao volante em um risco iminente de colisões, saídas de pista e capotamentos.
Um dos pontos mais críticos é o trecho conhecido como Serra do Barracão. Nesse local, as curvas fechadas e o relevo acentuado exigem atenção redobrada dos condutores. No entanto, mesmo para motoristas experientes, a margem para erro é praticamente inexistente. Sem acostamento, não há espaço para manobras emergenciais nem área segura para parada em caso de pane mecânica. Qualquer tentativa de desviar de um obstáculo ou corrigir uma falha pode resultar em consequências irreversíveis.
A falta de acostamento é, sem dúvida, um dos fatores mais alarmantes. Em rodovias com essa característica, a segurança depende quase exclusivamente da precisão e da prudência de quem está ao volante. Não há área de escape. Não há segunda chance. Um pequeno erro de cálculo em uma ultrapassagem, um segundo de distração ou até mesmo uma condição adversa da pista pode culminar em tragédia.
Além disso, o fluxo constante de veículos leves e pesados agrava ainda mais a situação. Caminhões e carretas dividem espaço com carros de passeio e motocicletas em uma pista que não oferece estrutura compatível com o volume de tráfego. Em trechos de subida ou descida, a diferença de velocidade entre veículos amplia o risco de colisões frontais, que costumam ser as mais letais.
O acidente desta segunda-feira reforça a sensação de vulnerabilidade de quem precisa utilizar a MG-413 diariamente, seja para trabalhar, estudar ou acessar propriedades rurais. Cada nova ocorrência não apenas interrompe vidas e deixa famílias enlutadas, mas também evidencia a urgência de medidas estruturais que possam reduzir os índices de acidentes.
Moradores e usuários frequentes da rodovia relatam há anos a necessidade de melhorias, como a ampliação da pista, a implantação de acostamento, melhor sinalização e intervenções específicas nos pontos mais críticos da Serra do Barracão. A sinalização, embora existente, muitas vezes não é suficiente para compensar as limitações físicas da estrada.
A morte registrada neste início de semana não pode ser encarada apenas como mais um número nas estatísticas. Trata-se de uma vida perdida em um cenário já conhecido pelo alto grau de risco. A mulher ferida carrega o trauma de um episódio que poderia ter tido proporções ainda maiores. Diante desse contexto, o acidente reforça uma constatação dura: enquanto não houver investimentos consistentes em infraestrutura e segurança viária, a MG-413 continuará sendo um dos trechos mais perigosos do entorno de Araguari. A rodovia, sem acostamento e com segmentos que não toleram falhas humanas, impõe diariamente um desafio perigoso a quem depende dela.
Mais do que lamentar as perdas, é preciso transformar a recorrência desses acidentes em um ponto de inflexão. A segurança nas rodovias não é apenas uma questão de responsabilidade individual dos motoristas, mas também de planejamento, fiscalização e compromisso com a preservação da vida. Enquanto a realidade estrutural da MG-413 permanecer inalterada, cada viagem seguirá sendo marcada pela incerteza e, infelizmente, pelo risco constante de novas tragédias.
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