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5º dia da greve dos caminhoneiros traz consequências para consumidores

sáb, 26 de maio de 2018 05:10

por Tatiana Oliveira

Paralisação teve início na segunda-feira e compromete abastecimento em diversos setores da cidade*

Após cinco dias de manifestação, completados ontem, 25, a situação nos depósitos de gás de cozinha, açougues e postos de combustível é alarmante. Devido a paralisação, muitas pessoas aproveitaram para fazer estoque, com medo de faltar. “Não sabemos quando isso [a greve] vai acabar, então bate um desespero”, coloca Maria Eduarda.

A Gazeta do Triângulo entrou em contato com os estabelecimentos da cidade para verificar o estoque. Conforme apurado, não se encontra mais à venda gás de cozinha ou combustível. As prateleiras de alguns supermercados ainda não mostram comprometimento.

Supermercados possuem estoque

Supermercados possuem estoque

 

Supermercados

Em um supermercado localizado na avenida Bahia, a informação é que o estoque está normalizado e os preços mantêm-se os mesmos. “Por enquanto a gente ainda tem muito produto. Desde quinta-feira o movimento aumentou muito. Só se começar a faltar produto que vamos aumentar o preço”, afirma a gerente Franciele Pelegrine Vieira.

Na avenida Mato Grosso, um hipermercado não sente tanto o efeito da greve. Foi repassado à Reportagem que os itens de hortifrúti e frios podem faltar, mas o restante segue na normalidade. “O problema é que os fazendeiros não estão nem colhendo.Essa é a dificuldade, não tem como trazer o produto. Os frios também podem ser comprometidos porque não trabalhamos com estoque muito alto, então não tem entrega”, relata o proprietário Tubertino Sena Pereira.

Em outro estabelecimento na praça José Rodrigues Alves o movimento aumentou e o depósito está comprometido, mas as prateleiras e o estoque de hortifrúti seguem normalizados. “Parece final de ano. O povo está consumindo demais e estocando. Se não conseguir liberar as entregas a nossa unidade deve ter estoque somente até segunda-feira”, relata Camila, estoquista.

Uma outra unidade na avenida Vereador Geraldo Teodoro também relata o aumento da procura dos consumidores. “Está bem tumultuado, bem movimentado desde quinta-feira. Acho que o povo está pensando que a comida vai acabar. Não tem gás nem aqui e nem no fornecedor, mas por enquanto poucos produtos estão em falta”, afirma Abigail Virgínia, recepcionista.

O arroz e sabão em pó de uma marca são alguns dos itens em falta nesse estabelecimento. “Algumas gôndolas estão meio vazias, mas ainda tem bastante coisa. Acredito que até semana que vem, no movimento que está, vai ficar mais comprometido o estoque”, coloca Marilaine Cristina – fiscal de caixa.

Abastecimento

O estoque de combustíveis da cidade está zerado. Os últimos postos que possuíam gasolina ou álcool registraram falta ontem no final da tarde. As filas chegaram a ocupar quarteirões e mesmo ontem ainda havia consumidor procurando combustível para abastecer carros de passeio, sem sucesso. “Vim na esperança que ainda tivesse alguma coisa, mas não deu”, afirma Lucas Souza.

Um posto de gasolina na avenida Mato Grosso informou à Gazeta que na quarta-feira, 23, tinha 10 mil litros de gasolina e 8 mil de etanol em estoque, o qual acabou na quinta-feira 10h, em menos de 48h. “Foram centenas de veículos que vieram abastecer e não estávamos preparados para isso”, coloca o frentista.

As compras são realizadas diariamente, conforme relata o gerente do posto Brasileirão, Fernando Alves Pereira. Pelo estoque ser pequeno, a busca excessiva por pessoas querendo encher os tanques de combustível fez com que ele acabasse antes do esperado. “Na segunda-feira consegui efetuar a compra e uma entrega foi feita na quarta-feira, mas não de gasolina e nem de etanol. Tem pedido feito na segunda-feira, mas que não veio. A base dos fornecedores, em Uberlândia, está fechada, inclusive o motorista que trouxe na quinta-feira não conseguiu retornar”, destacou em entrevista na quarta-feira à reportagem.

O diesel comum e o S10 são os únicos combustíveis ainda encontrados em bombas de postos da cidade. Etanol e Gasolina estão em falta em toda a região.

PM e Bombeiros

Órgãos como a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros possuem bomba própria de abastecimento e, conforme apurado pela reportagem, ainda não apresentam queda significativa. As viaturas estarão trabalhando normalmente nos próximos dias.

Gás de Cozinha

Alguns estabelecimentos apresentaram falta no estoque de gás de cozinha desde quinta-feira. A diretora do setor jurídico do Procon, Michelle Izabel Curcino, afirma que donos de depósitos aproveitaram para aumentar os preços. “Tivemos reclamação de aumento abusivo do gás, mas fomos ao local e resolvemos”, disse.

Consumidor deve ficar atento

O Órgão de Proteção do Consumidor – Procon – informou à Gazeta que está aconselhando o consumidor a ficar de olho em aumentos abusivos. “O que estamos repassando é que, se tiver aumento abusivo do gás, gasolina é para nos repassar. Se isso acontecer o consumidor tem que pegar a nota e formalizar a reclamação aqui no Procon”, relata a diretora do setor jurídico do Procon, Michelle Izabel Curcino.

Atendimento na MGO

A Gazeta do Triângulo entrou em contato com a MGO Rodovias, a qual informa que também foi afetada pela greve. Se comparados os três primeiros dias da semana passada com o mesmo período dessa semana, o movimento de veículos comerciais caiu aproximadamente 90% na BR-050, no trecho sob concessão da MGO.

De quarta para quinta-feira, o movimento de veículos comerciais caiu 58% e o de passeio 7%. “Com aqueda dos veículos na rodovia, independentemente da situação, estamos conseguindo atender os usuários com socorro mecânico e médico, de uma maneira emergencial”, relata Sérgio Lucas, assessor de comunicação da empresa.

A operação de pedágios também foi afetada, mas a empresa mantém a normalidade no funcionamento. “Devido à dificuldade no transporte de funcionários e abastecimento das viaturas ficamos comprometidos, mas entramos em contato coma ANTT e colocamos as dificuldades”, afirma. “Queríamos tranquilizar os usuários que podem contar conosco, pois estamos funcionando normalmente”, conclui.

A Greve

Vários profissionais estão reunidos no km 39 da BR-050, Araguari sentido Catalão. Outra quantidade de profissionais está no posto Araguaia, localizado na saída para Caldas Novas (GO). Conforme informações da MGO Rodovias, a manifestação também acontece no Km 36, onde caminhoneiros ocupam as marginais da rodovia.

Ontem, 25, pela manhã os motoristas de vans fizeram uma carreata pela cidade em apoio à greve. O movimento segue exemplo do que ocorreu na quarta-feira, quando os produtores rurais aderiram às reivindicações e reuniram dezenas de máquinas agrícolas e caminhões em protesto ao preço abusivo dos combustíveis. Os veículos percorreram todas as regiões da cidade como forma de apoiar a greve iniciada por caminhoneiros.

O posto Brasileirão faz parte dos pontos utilizados pelos profissionais para se reunirem. Dezenas de caminhoneiros estão no local aguardando uma posição sobre o assunto.

A Gazeta do Triângulo entrou novamente em contato com o posto Brasileirão ontem à tarde. O gerente, Flávio Albanez, afirma que mais de 60 veículos estão estacionados desde segunda-feira, 21. “Eles são bem pacíficos, até agora, tudo tranquilo”, disse.  A funcionária Gisele Silva acredita que a greve deveria ser geral. “Acho que eles deveriam ter apoio geral, essa greve está sendo feita pelos caminhoneiros, mas é para o bem-estarde a toda a nação. Todos deveriam aderir”, disse.

Marco Aurélio de Lima é gerente em uma rede de postos da cidade e afirma total apoio à greve. “Para nós, ficar parado é muito ruim também, é prejuízo em um posto.Apoiamos, mas ao mesmo tempo esperamos que seja resolvido o mais rápido possível e que fique bom para todos. Continuamos levando comida no Posto da Sombra para eles”, coloca

Conforme um proprietário de transportadora, o apoio é total e não há previsão de término da manifestação. “O Michel Temer acabou de se pronunciar que não aceitamos o que ele queria e, cada estado e seus governantes, tem que desobstruir as rodovias, mas não estamos obstruindo nenhuma pista. Todo mundo abraçou a causa, a população, mototaxistas, entre outros. Estamos cansados de tanto imposto. Não temos culpa de eles terem roubado a Petrobras”, coloca. “Não tem previsão de acabar, ainda mais com essa afronta agora não podemos arredar o pé”, relata.

*As informações dessa matéria foram apuradas até o fechamento da edição ontem, 25, às 17h30.

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