Domingo, 25 de Agosto de 2019
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Saúde Alerta – Aplicativos para monitorar o sono: inimigos ou aliados?

qua, 31 de janeiro de 2018 05:13

Abertura-saude-alerta

O uso intenso e diário dos smartphones é uma realidade crescente nos últimos tempos – os usuários querem estar conectados o tempo todo, a toda hora. E os aplicativos mobiles têm um papel importante nisso, pois é difícil hoje alguém ficar sem eles, seja no âmbito profissional e/ou pessoal. O site Yahoo, por meio da Flurry, principal ferramenta de mobile analytics, divulgou, ano passado, uma pesquisa com as principais tendências do mercado mobile, que registrou, em 2015, um aumento de 58% no uso de aplicativos.

Sugere-se que esse número seja ainda maior atualmente. Existe, até mesmo, uma plataforma chamada Kickstarter, que capta recursos para disponibilizar novas tecnologias para os “apps”. Ela coletou, recentemente, cerca de dois milhões de dólares para desenvolver aplicativos voltados para a área do sono, por exemplo.

Cada vez mais é frequente, no consultório, pacientes informarem que estão utilizando em seu dia a dia aplicativos de celular para monitorar o sono. Há casos em que o paciente chega até nós, médicos, com um ‘diagnóstico’ em mente, declarando que determinado aplicativo apontou que ele possui um sono leve.

Quando esses apps estão alinhados a uma história clínica bem aprofundada, com acompanhamento especializado, é possível coletar informações válidas e pertinentes. No entanto, algumas vezes, o indivíduo usa essa tecnologia por conta própria, o que é perigoso.

Quando o paciente assume o papel de ele mesmo interpretar os dados fornecidos pelo aplicativo, sem saber se realmente o app cumpre o que promete, essas informações podem sugerir um diagnóstico errôneo e causar na própria pessoa uma ansiedade e uma expectativa com algo que pode não ser compatível com o que ela realmente possui.

O aplicativo Go to Sleep, por exemplo, desenvolvido pela Universidade de Cleveland, nos EUA, em contrapartida, é um recurso interessante, pois sua proposta é educacional e de orientação ao paciente quanto à sua rotina de sono. Há também o “famoso” Snorelab, muito conhecido na área da saúde e muito utilizado pelos profissionais.

O aplicativo, que se destaca pela função de gravar o ronco, pode ser uma ferramenta importante para aquelas pessoas que negam ou que, simplesmente, não sabem que roncam.

Porém, o ideal é sempre consultar o médico para averiguar as informações trazidas por esse tipo de tecnologia e buscar, também, saber a metodologia utilizada. Pensando nisso, alguns especialistas, estão validando no InCor um dispositivo chamado Oxistar, desenvolvido por uma empresa de tecnologia.

O aparelho nada mais é que um oxímetro digital com design próprio, cuja função é enviar informações do paciente, via Bluetooth, para um determinado aplicativo de celular, que também está sendo produzido em conjunto.

Esse sistema, oxímetro mais aplicativo, é de uso médico e seu principal objetivo é o correto diagnóstico da apneia do sono (condição que atinge cerca de 32% da população), através de um estudo respiratório do paciente. Estamos ainda no processo de validação desse sistema, mas ao que tudo indica, esse pode ser, em breve, um recurso importante para detectar a apneia obstrutiva do sono.

A intenção é que esse sistema seja mais simples para o diagnóstico e, também, de fácil acesso. Não se pode ‘demonizar’ esse tipo de tecnologia, ela pode ser sim uma ferramenta muito válida para o médico e para o paciente, desde que demonstre com segurança seus dados, e que seja algo bem embasado cientificamente.

 

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