Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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Polícia Civil conclui investigações sobre acidente que vitimou família de Campinas

sex, 9 de novembro de 2018 05:01

por Tatiana Oliveira

Jovem de 21 anos deve ser indiciada por triplo homicídio qualificado e um tentado

Ontem, 8, às 15h o delegado de Polícia Civil Rodrigo Fiorindo Faria apresentou em coletiva de imprensa na Delegacia Regional de Araguari o resultado do inquérito instaurado pelo acidente que vitimou a família Monare, de Campinas (SP), no dia sete de outubro. O único sobrevivente foi Benjamin Monare, de seis anos. A fatalidade ocorreu na BR-050, entre os km 44 e 45, sentido Araguari – Uberlândia e matou o pai, mãe e irmão de Benjamin.

Laudo de médico legista mostra que família não morreu imediatamente, diz PC.

Laudo de médico legista mostra que família não morreu imediatamente, diz PC

 

A conclusão das investigações da PC foi apresentada ontem, 8, à imprensa. “O inquérito policial foi instaurado para apurar o envolvimento e também a morte, após um acidente de trânsito com a família proveniente de Campinas. Após todas as diligências efetuadas, laudos periciais e laudo de necropsia, foi constatado o envolvimento de um veículo Gol conduzido por uma jovem de 21 anos de Uberlândia. Esse veículo Gol invadiu a pista da esquerda, vindo a colidir com o carro da família de Campinas (SP)”, relata Fiorindo em coletiva de imprensa.

Conforme explica à imprensa, a jovem alega ter sentido uma ‘pancada’ e perdido o controle do veículo. “Foi a invasão de pista do Gol que invadiu a pista da esquerda quando o veículo da família estava ultrapassando o Gol”.

Segundo o delegado, a dinâmica do acidente foi esclarecida. “Momentos antes da colisão temos uma imagem que foi cedida pela MGO, mas é distante do local. Nela conseguimos perceber que em um determinado momento o Gol começou a invadir a pista da esquerda e, por alguns segundos, transitou entre as duas faixas. Nesse momento o veículo Gol voltou para a pista da direita, aonde iniciou a ultrapassagem pelo veículo da família. Porém, em um ponto mais à frente, o veículo das meninas começou a invadir a pista e houve a colisão”, relata.

Apesar da afirmação do delegado, a pancada em si não foi flagrada pela câmera da MGO. “A gente consegue determinar que ela invadiu porque no carro da família possui nitidamente marcas de borracha, além de outras marcas do aro da roda e da calota que são simetricamente iguais as medidas da roda do Gol. Além disso, houve uma pancada onde há tinta de cor semelhante à cor do Gol”, mostra.

Provas também foram encontradas no veículo que a jovem de 21 anos conduzia, o qual foi avaliado pela perícia e estava em uma oficina de conhecidos da menina. “No lado esquerdo do Gol há uma marca de borracha compatível com uma falha do pneu traseiro direito da família. Então são todas marcas, indícios que nos denotam que realmente elas invadiram a pista e deram causa ao acidente”, conclui.

A jovem foi ouvida pela Polícia Rodoviária Federal no dia do acidente e não apresentava sinais de embriaguez, coloca Fiorindo. “Eu pessoalmente não tive contato com ela no domingo, quem teve foram os policiais rodoviários federais que lavraram Boletim de Ocorrência. Apesar de o BO da PRF constar que houve teste de etilômetro, foi um erro de sistema, de preenchimento no BO. Não teve esse teste de etilômetro na condutora e, segundo depoimento do PR que atendeu essa menina, ela não tinha sinais visíveis de embriaguez ou de uso de substância entorpecente”, diz.

Uma testemunha relata que viu o acidente, acionou a MGO, concessionária responsável pela rodovia. A empresa informou que prestou assistência, mas só encontrou um veículo. O caso será averiguado pelo Ministério Público Federal (MPF). “Não vi dificuldades em relação à MGO Rodovias para a investigação. Tudo o que foi solicitado, requerido, eles nos atenderam prontamente. Essa questão de ser ou não localizado o segundo veículo, conforme o termo de declaração não ficou constatado um dolo na omissão da pessoa física. Porém, por questão civil e administrativa, estou enviando cópia integral desse inquérito para o Ministério Público Federal, que é o órgão competente para analisar o contrato e também se houve alguma falha na prestação do serviço”, diz o delegado responsável pelo inquérito.

Relembre o caso

Benjamin, de 6 anos, mora em Campinas (SP), onde também viviam o pai, Alessandro Monare, de 37 anos, a mãe, Belkis da Silva Miguel Monare, 35, e o irmão, Samuel da Silva Miguel Monare, de oito anos. Eles passaram o fim de semana em Rio Quente (GO) para comemorar o aniversário da mulher e se acidentaram no retorno para casa no domingo de eleições, 7 de outubro. Apenas Benjamin sobreviveu, ele foi encontrado por um motorista quase 48 horas depois do acidente com a família.

Após encontrada a criança, a Polícia Civil iniciou inquérito para apurar possível envolvimento de um segundo veículo no acidente. A suspeita começou quando foi identificada uma ocorrência de capotamento envolvendo três mulheres no mesmo dia e local onde a família de Campinas (SP) foi encontrada.

Crime

Conforme relados do delegado, a condutora de 21 anos não possui Carteira Nacional de Habilitação e será indiciada por triplo homicídio qualificado e uma tentativa de homicídio qualificado. “A pena de cada homicídio qualificado é de 12 a 30 anos; ficando a cargo do Judiciário verificar a questão da pena”, coloca à imprensa. O delegado informa, também, que a jovem responde em liberdade e contribuiu com a investigação. “Ela responde em liberdade, visto que em todas as circunstâncias que necessitamos que ela viesse à Araguari, que ajudasse na investigação, ela colaborou, além de ter residência e emprego fixos”.

Jovens estavam voltando de uma festa

De acordo com relatos durante a coletiva de imprensa, o delegado confirmou que as três jovens que estavam no veículo Gol haviam comparecido a uma festa em Uberlândia na noite anterior. “O que ela nos relatou é que estava em uma confraternização entre amigos, namorado e conhecidos dela e que há relatos que essa festa durou por volta das 19h até o amanhecer do domingo”, comenta.

Fiorindo comenta também sobre a jovem ter ou não consumido bebida alcoólica no evento. “Ela diz que bebeu em um momento muito antes de conduzir o veículo, porém uma das integrantes do Gol disse que a jovem bebeu até o amanhecer”, contrapõe os depoimentos.

Conforme o delegado, as jovens vieram à Araguari para ‘conduzir uma delas, cujos pais residem aqui e retornavam à Uberlândia quando ocorreu o acidente.

Família não morreu imediatamente

Conforme laudo médico e pericial, a família não morreu no momento do acidente. “A médica legista que fez a análise e procedeu com o laudo de necropsia indica que o pai e o menino morreram em torno de 48h antes da necropsia, ou seja, no domingo por volta de meio dia, uma da tarde. O laudo da mãe coloca um prazo de 24h à 48h antes. Isso significa que ela pode ter morrido no domingo ou na segunda-feira”, informa o delegado.

Outro crime

Conforme apurado pela reportagem, uma das jovens que estava no Gol foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araguari e foi constatado que ela portava uma substância semelhante à cocaína. “A MGO nos encaminhou vários documentos, além das filmagens, onde consta um atendimento dessa menina que foi encaminhada. Quando chegou à Unidade o pessoal que a atendeu localizou uma substância de pó branco suspeito. Após tomar ciência disso e que o material estava sob custódia da UPA, solicitei mediante ofício que nos encaminhassem esse pó para passar por análise e identificarmos qual era o conteúdo. Entretanto, a resposta do ofício é que foi desprezado indevidamente”, conta o delegado durante a coletiva.

Pelo fato foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) contra os dois profissionais da UPA que socorreram a vítima que estava no carro causador do acidente. Eles podem receber uma pena de três meses a um ano de prisão. “Será encaminhado ao juizado especial um TCO pelo crime de prevaricação contra a técnica de enfermagem e o médico que a atenderam”.

Segundo o delegado, o veículo pertencia ao pai do namorado da jovem de 21 anos. O namorado também assinou um TCO por ter entregado o carro para a jovem inabilitada dirigir.

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