Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
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Jovem de 21 anos deverá ir a Júri Popular por tragédia com família paulista na BR-050

sáb, 25 de maio de 2019 05:28

Da Redação

Para o MP, denunciada assumiu o risco das mortes causadas ao conduzir veículo pela rodovia, sem habilitação, com sono e embriagada; defesa afirma que acidente ocorreu sem qualquer dolo por parte da acusada

Pai, mãe e filho morreram num misterioso acidente automobilístico no dia 7 de outubro de 2018, na altura do km 45 da BR-050, em Araguari. Uma criança de apenas 6 anos, da mesma família sobreviveu e foi encontrado dois dias após a batida, à margem da rodovia. O comovente caso repercutiu em todo o país.

Acidente ocorrido em Araguari repercutiu em todo o país ** Arquivo

Acidente ocorrido em Araguari repercutiu em todo o país
** Arquivo

 

A investigação policial chegou até uma jovem de 21 anos, moradora no bairro São Jorge, em Uberlândia, e concluiu que, na fatídica manhã de domingo, ela conduzia o VW/Gol que atingiu o Honda/FIT das vítimas, causando a colisão. A mesma não tinha Carteira Nacional de Habilitação ou permissão para dirigir, e ainda estaria sob efeito de álcool. Foi indiciada por três homicídios qualificados e um homicídio tentado.

“Como a condutora não tem habilitação e na noite anterior aos fatos participou de uma festa, usou bebida alcoólica e não descansou, esses aspectos denotam a caracterização da culpa, passando o crime do Código de Trânsito para o Código Penal, tendo em vista que não se preocupou com a segurança das pessoas das vias por onde passou”, destacou o delegado Rodrigo Luís Fiorindo Faria, ao apresentar a conclusão do inquérito, um mês após a tragédia.

Com base em imagens fornecidas pela MGO Rodovias, a Polícia Civil apurou que o Gol trafegava em ziguezague pela pista e invadiu a faixa da esquerda por algumas vezes e trafegando entre as duas pistas.

A Gazeta do Triângulo apurou que recentemente houve uma audiência de instrução e julgamento no Fórum Doutor Oswaldo Pieruccetti, quando a acusada e quatro testemunhas prestaram declarações através de áudios, com a concordância da defesa.

O advogado da denunciada e a acusação dispensaram duas testemunhas, mas o Promotor Alam Baena Bertola dos Santos pediu que o Juízo da Comarca de Araguari ouça, através de carta precatória, dois homens que poderiam prestar informações importantes sobre o caso.

O Ministério Público colocou que a despeito da sua embriaguez e sonolência, a acusada assumiu a direção do automóvel e seguiu pela BR-050. Em razão dessas situações mais a falta de habilitação técnica, invadiu bruscamente, sem atentar para o fluxo de trânsito e sem prévia sinalização, a pista de rolamento à esquerda, colidindo com o Honda/FIT, que seguia na mesma direção e realizava uma manobra de ultrapassagem. Assim o condutor perdeu o controle direcional, saiu à direita da rodovia e, após capotar, caiu em uma depressão geográfica de aproximadamente três metros, causando três vítimas fatais e uma ferida.

Conforme colocado pelo MP, a denunciada assumiu o risco das mortes causadas ao conduzir veículo pela rodovia, sem habilitação, com sono e embriagada. Além disso, os crimes foram cometidos mediante recurso que dificultou a defesa dos ofendidos, pois a acusada invadiu subitamente a pista em que seguia o carro ocupado pelas vítimas.

Para a defesa, o boletim de ocorrência lavrado pela Polícia Rodoviária Federal naquela fatídica data informa totalmente o contrário do que foi apresentado pela acusação, não existindo no inquérito policial qualquer prova de que a condutora do Gol estaria sob efeito de álcool ou drogas. Além disso, não tinha conhecimento da existência do outro veículo, o qual ficou fora do alcance de todos.

De acordo com a sua argumentação, a pista encontrava-se molhada, em razão das fortes chuvas, e a acusada enfatizou que não sabe como aconteceu o acidente, permanecendo o tempo todo no local dos fatos, até a sua liberação pela autoridade policial.

Ainda segundo a defesa, a colisão não ocorreu por culpa da denunciada, bem como a mesma não deixou de prestar socorro às vítimas, uma vez que por força do destino, o veículo ocupado pelas mesmas foi encontrado somente dois dias depois, em lugar fora de qualquer possibilidade de visibilidade, chegando a ser utilizado um drone, e que somente foi possível a descoberta depois que a criança que sobreviveu escalou um barranco e se dirigiu até à margem da rodovia em busca de ajuda.

Acrescentou que a acusada é pessoa de ótima índole, trabalhadora, tendo se comprometido desde o início com a elucidação da verdade, e que se trata de um acidente automobilístico trágico, ocorrido sem qualquer dolo por parte da mesma.

No começo de maio, o advogado da denunciada pediu ao Juízo da Primeira Vara Criminal a decretação de segredo de justiça neste processo, alegando a desnecessária exposição midiática dos fatos e atos processuais de forma truncada, evitando, assim, um prévio linchamento público pelo uso indiscriminado da mídia.

A Juíza Danielle Nunes Pozzer entendeu que não existia fundamento fático-jurídico para aceitar o requerimento, não havendo nenhum elemento que demonstre violação à intimidade, vida privada, honra e imagem das vítimas e da acusada.

A Defesa pediu ao Ministério Público de Minas Gerais a intimação da Concessionária MGO Rodovias, visando apresentar o registro de todos os procedimentos realizados no momento do acidente, em especial o nome e qualificação dos funcionários do resgate e suposta varredura no local dos fatos, para subsidiar o esclarecimento da verdade real, uma vez que a falha na condução dos trabalhos fatalmente colaborou na falta de assistência aos acidentados, que faleceram dias depois da ocorrência.

Assim, a magistrada determinou a expedição de ofício à MGO para atender a referida demanda no prazo de dez dias.

Após os últimos tramites, a Juíza Danielle Nunes Pozzer irá decidir se a condutora do VW/Gol será submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri. Se entender que sim, o advogado da acusada ainda poderá recorrer ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Além da condenação pelos homicídios, a Promotoria pediu a reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pela vítima sobrevivente.

AS MORTES

Segundo consta no laudo, o médico legista apontou que Samuel da Silva Miguel Monare, 8 anos, morreu na hora do acidente. Seus pais sobreviveram por mais tempo. Alessandro Monare, 37 anos, pode ter morrido na tarde de domingo e a mãe, Belkis da Silva Miguel Monare, 35 anos, um dia depois da colisão.

A família ocupava um Honda/FIT Flex, cor cinza, ano 2012/2013, placas FBT-7602, e retornava de Goiás, após celebrar no fim de semana o aniversário de Belkis Monare, na cidade turística de Rio Quente.

Domingo, 7, por volta de 10h30, o automóvel passou pelo posto de fiscalização da Polícia Militar Rodoviária, no km 114 da rodovia MG-223, em Araguari, conforme registrado pelas câmeras de vigilância da unidade. Na mesma manhã, na BR-050, distante 3 km do perímetro urbano, o veículo que trafegava sentido Uberlândia, saiu da pista, desceu uma ribanceira e caiu numa vala, deixando três mortos.

No entanto, o acidente somente foi descoberto nas primeiras horas de terça-feira, 9, depois que o sobrevivente foi visualizado por um caminhoneiro no acostamento da rodovia, sentado na cadeirinha que provavelmente se soltou do carro.  A testemunha imediatamente entrou em contato com a concessionária MGO e as equipes de resgate se dirigiram para o local.

A criança, que teria ficado dois dias ao lado dos corpos antes de sair do automóvel, apresentava quadro clínico de desidratação, além de escoriações na cintura e pescoço. Ela foi levada consciente para o Hospital de Clínicas de Uberlândia (HC-UFU) recebendo os devidos cuidados.

A família pertencia a Igreja Batista Vista Alegre, em Campinas, onde Alessandro Monare era pastor.

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