Domingo, 23 de Abril de 2017
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Impeachment, oportunismo e retrocesso, por Mauro Sérgio Santos

sex, 20 de março de 2015 00:10

* Mauro Sérgio Santos

Nas democracias, as disputas políticas e a luta pela justiça devem ocorrer em espaços públicos, através de palavras e ações que cultivem e promovam o respeito aos Direitos Humanos postulados pela Revolução Francesa (1789), estabelecidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), corroborados, no Brasil, pela Carta Magna de 1988.

Assim, com enorme pesar, percebo, nos últimos anos o fortalecimento, em parcela significativa da sociedade brasileira, certo apreço por uma concepção de mundo que insiste na direção contrária. Trata-se, sem circunlóquios, de uma visão de mundo marcada por um elitismo nostálgico em relação a um passado que nunca existiu. O ápice dessa concepção construída historicamente manifesta-se na defesa injustificável de impeachment da presidente Dilma.

O processo de (re) construção e de consolidação da democracia brasileira, após a ditadura militar, nas últimas décadas convive, pois, com acorçoada resistência das elites que, ao perderem espaço no poder, mormente com a eleição de Lula, em 2002, realizam constantes tentativas de propagar o retrocesso, o autoritarismo, o moralismo hipócrita…

No processo eleitoral de 2002, houve clara tentativa de espalhar um surto de medo encetado, entre outras empreitadas, pelo famigerado caso da atriz global que atende pela alcunha de “namoradinha do Brasil”. Disse à época Regina Duarte: “Eu tenho medo!”, referindo-se à eminente possibilidade da vitória petista que, no entanto, concretizou-se.

Nos primeiros anos do governo de Luiz Inácio, inúmeras foram as ofensivas que intencionavam desqualificar o propósito petista, rotulando-o como comunista, socialista, populista etc.

Entre 2005 e 2006, grupos fortemente articulados encetaram verdadeira “cruzada” contra o Partido dos Trabalhadores com o que convencionou-se chamar de mensalão.  Bem antes da apuração dos fatos e da oferta do direito de ampla defesa, todos os envolvidos estavam publicamente acusados, difamados, julgados e condenados.

À mesma época com o plebiscito relativo ao Estatuto do Desarmamento que se cristalizou a expressão “cidadão de bem” que restringe o conceito de cidadania à figura do eleitor, contribuinte, consumidor, plenamente incluído no sistema capitalista que, por sua “boa conduta”, sente que deveria ser de certa forma, “beneficiado” pelo sistema.

De lá para cá, fortalecida também foi a criminalização dos movimentos sociais e de defesa dos direitos humanos, a desqualificação do pensamento de esquerda, a depreciação dos programas assistenciais do Governo Federal e das ações afirmativas e reformas sociais para melhoria da qualidade de vida dos mais pobres, além da lastimável marginalização dos beneficiados pelos respectivos programas.

Em 2013, o movimento conhecido como “O Gigante Acordou” celebrou uma espécie de glorificação ao apartidarismo, a aversão à política e a responsabilização do executivo federal por todos os problemas do país.

Em 2014, a indignação em face dos resultados das eleições gerais materializou-se na truanesca ideia de um terceiro turno e, por conseguinte, em 2015, na pretensão constrangedora de impeachment.

Equivocadamente, as redes sociais (e o senso comum, em geral) elegeram a presidente do país como uma espécie de inimigo a ser vencido. Compreensão que revela má fé ou, na melhor das hipóteses, ausência de consciência política. O Palácio do Planalto não responde pela maior parte das derradeiras reivindicações e/ou acusações que se apresentam.

A defesa de impeachment coaduna-se com a reprodução de discursos superficiais e, portanto, de fácil assimilação em relação à política e aos direitos humanos, “escatologias de botequim” marcadas por um pessimismo gratuito.
A democracia é o caminho. Uma reforma política é (re)começo!

* Professor de Filosofia (Araguari/Uberlândia), Mestrando em Filosofia – UFU, Especialista em Educação- UFSJ. Autor do livro: “Camaleão: metapoesia”
Blog: http://banquetedepetras.blogspot.com

3 Comentários

  1. Scatena disse:

    Uma reforma política feita pelos interessados em corrupção? Você só pode estar de brincadeira.

  2. JOSÉ LUIS disse:

    Infelizmente uma considerável parcela da sociedade continua presa na CAVERNA do eu acredito no que vejo na globo.

  3. VICENTE disse:

    VERDADE MEU CARO MAURO. É CONDIÇÃO SINE QUA NON PARA O SUSTENTO DA DEMOCRACIA: -REFORMAS OU CONSTITUIÇÃO DE NOVAS REGRAS POLITICO-PARTIDÁRIAS, -REFORMA OU CONSTITUIÇÃO DE NOVAS REGRAS DE TRIBUTAÇÃO, INVERTENDO A LÓGICA EXISTENTE QUE SÓ BENEFICIA AS GRANDES FORTUNAS E O CAPITAL ESPECULATIVO EM DETRIMENTO DO PRODUTIVO.

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