Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
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Diretora do Foro da Comarca de Araguari abraça a ideia da preservação do Mosteiro da Medalha Milagrosa

qui, 6 de dezembro de 2018 05:43

por Luiz Muílla

Juíza Juliana Faleiro se sensibiliza com relato do padre Fábio Marinho

Juíza Juliana Faleiro: “o Mosteiro da Medalha Milagrosa é um patrimônio espiritual de nossa cidade, essencial a sociedade Araguarina, devendo, portanto, ser preservado”.   ** Divulgação

Juíza Juliana Faleiro: “o Mosteiro da Medalha Milagrosa é um patrimônio espiritual de nossa cidade, essencial a sociedade Araguarina, devendo, portanto, ser preservado”.
** Divulgação

A Diretora do Foro da Comarca de Araguari, Juíza de Direito, Juliana Faleiro de Lacerda Ventura, encaminhou ao Jornal Gazeta do Triângulo, carta recebida do Padre Fábio Marinho, enfatizando que ficou sensibilizada com o relato do Padre Fábio Marinho, em relação à falta de entendimento de algumas pessoas quanto a função espiritual das Freiras enclausuradas do Mosteiro da Medalha Milagrosa de Araguari.

“É com muita tristeza que percebo que o modelo de sociedade em que vivemos nos empurra cada vez mais para uma vida automatizada e menos humanizada, levando-nos a perder a capacidade de identificar o que é ou não essencial em nossas vidas”, disse a Juíza.

Acrescentou que, somente através do poder da oração alcançaremos a graça do entendimento quanto ao que seja ou não essencial. “O Mosteiro da Medalha Milagrosa é um patrimônio espiritual de nossa cidade, essencial a sociedade Araguarina, devendo, portanto, ser preservado.  Parafraseando Santo Agostinho, em sua obra Confissões: é através da fé que alcançamos o entendimento sobre as coisas de Deus. Que nunca nos falte fé! ”, destacou Juliana Faleiro.

Confira a seguir a íntegra da carta enviada pelo Padre Fábio Marinho:

“No próximo sábado, a Igreja celebra a Solenidade do Dogma da Imaculada Conceição de Maria, e a comunidade Araguarina adquire uma luz especial com a festa da Ordem das Irmãs Concepcionistas.

Quero aproveitar a festiva ocasião para me dirigir ao povo de Araguari, pelo qual nutro um carinho imensurável pelo testemunho de amor e acolhimento que sempre tive e tenho da parte de seus cidadãos.

Como é sabido pelo povo de Araguari, o Mosteiro da Medalha, como é carinhosamente chamado o Mosteiro de Santa Beatriz e da Imaculada Conceição, foi fundado no dia 16 de julho de 1964 e desde então se tornou um baluarte espiritual para a cidade e toda região da Diocese de Uberlândia que, no exemplo e testemunho da Ordem das Irmãs Concepcionistas Franciscanas, que vivem os votos perpétuos de castidade, pobreza, obediência e clausura, procuram constantemente se emendar numa vida de santidade.

Há alguns anos, devido ao número reduzido de Monjas – já de idade avançada e debilitadas na saúde, o Mosteiro estava na iminência de ser desativado, o que traria grande dor ao coração do Araguarinos que possuem tanta estima por este santo lugar. Porém, aprouve a Deus encaminhar, desde o mosteiro de São José, em São João Del Rei, doze irmãs, para darem continuidade às atividades do mosteiro, fieis ao carisma de Santa Beatriz da Silva, com a coragem e a criatividade necessárias para responderem aos desafios dos tempos adversos e das situações desfavoráveis que são realidade em nossos dias.

Caríssimos, nos fatores do mundo presente que interpelam a espiritualidade, a religiosidade e, especialmente, a vida monástica, a crise de Deus constitui um desafio à paixão por Deus. As monjas, que têm como único fim a busca de Deus, são chamadas de modo particular a contribuir para o regresso à experiência do Deus vivo. Ícones vivos da invisível luz do Monte Tabor, essas santas mulheres são chamadas à oração transformadora em comunhão com todos os homens e mulheres.

Desde sua fundação, o Mosteiro da Medalha, por meio do modelo de vida de suas monjas, nos convida a levarmos na alma a contemplação de Deus e a integração de tudo e cada coisa no seu lugar, ao jeito das Irmãs Concepcionistas, que no silêncio da clausura e no dom total e exclusivo delas mesmas a Cristo segundo o carisma franciscano, prestam um precioso serviço à Igreja e à comunidade.

Ao percorrer a história do Mosteiro da Medalha, observei que os bispos de nossa amada Diocese de Uberlândia e muitos sacerdotes (aqui evoco a saudosa memória do querido padre Eduardo Jordi, meu confessor no ano de 1998, quando ingressei no seminário desta Diocese) encontrando a Fraternidade das Irmãs Concepcionistas, exaltaram sempre a importância do testemunho destas freiras contemplativas.

Eu, em particular, ao contrário daqueles que consideram as mulheres enclausuradas à margem da realidade e da experiência do nosso tempo, penso que a sua existência tem o valor de um singular testemunho que toca intimamente a vida da Igreja e de uma comunidade. Fieis à regra, à vida comunitária, à pobreza, à Castidade e à santa Clausura, essas mulheres são uma semente e um sinal para todos, para além, inclusive, da Igreja.

Elas não abandonaram o mundo para evitar as preocupações do mundo. Elas levam todas as preocupações do mundo no coração e, no atormentado cenário da história, acompanham a humanidade com a sua oração.

Quem hoje se dispõe a pensar e a rezar pelos outros? Quem hoje se dispõe a ouvir as angústias e preocupações alheias? Até mesmo os confessionários das igrejas estão vazios. E não é por falta de penitentes!

Por esta presença, escondida, porém autêntica, na sociedade e mais ainda na Igreja, todos nós, temos a obrigação sagrada e moral de olhar com mais respeito e devoção para a vida dessas mulheres. As grades que as separam do mundo, as unem às nossas almas. Elas são aquele sal escondido que dá sabor ao alimento. Não cabe a ninguém questionar – de forma leviana e maldosa – a Clausura de uma monja, muito menos sua vida de castidade e oração.

Aliás, como psicanalista, devo questionar tal atitude: o que leva um cidadão a olhar com estranheza as grades de uma clausura e a vivência regular de um Mosteiro, ao invés de esgotar-se em apoiá-las, dia e noite, pensando no bem espiritual que dali se colhe?

O que compete aos que estamos do lado de fora é confiar que estas monjas sejam “mãos postas” que vigiam em oração incessante, totalmente separadas do mundo, para unirem-se na alma, pela santificação e salvação de cada um de nós.

É bem sabido que nem sempre tem eco na opinião pública o empenho silencioso daqueles que, como as Irmãs da Medalha, procuram colocar em prática com simplicidade e alegria o Evangelho “sine glossa”, e cutivam uma vocação cuja finalidade é o próprio Cristo, sem vaidades ou desejo de serem aplaudidas e reconhecidas. “Sine Glossa”. Ao contrário de tantos que tentam macular a imagem e a vocação dessas mulheres na sociedade.

Cabe a cada fiel, rogar a Deus que continue a abençoá-las com o dom de muitas e santas vocações. Cabe a cada fiel cuidar e incentivar sua presença na sociedade, para que sempre tenhamos o refrigério de suas silenciosas e castas grades a acalentar nossas almas tão sedentas de santidade, num mundo que nos exaure por tanta vaidade, egoísmo e insensatez.

Às irmãs Concepcionistas, nosso carinho e nossos cumprimentos pela Solenidade da Imaculada Conceição, certos de suas orações e de sua presença silenciosa entre nós.

‘Verba Movent, exempla trahunt. ’ Permaneçam firmes!”.

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