Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
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Depressão e ansiedade são temas do Janeiro Branco

qui, 10 de janeiro de 2019 05:12

por Mel Soares

Profissional alerta sobre as causas e efeitos das doenças mentais

Neste mês é desenvolvida a campanha Janeiro Branco, que teve início em 2014, em Uberlândia, sendo idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão. Temas sobre saúde mental incluindo depressão e ansiedade são destacados durante o período. Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 2020 a depressão será uma das doenças mais incapacitantes do mundo. Tendo em vista a importância do assunto visando chamar a atenção da comunidade, o Jornal Gazeta do Triângulo entrevistou Luiz Rey, especialista em Psicoterapia Transpessoal. Confira:

Porque janeiro foi o mês escolhido para a campanha?

Em janeiro temos a sensação de um novo começo, novos planos e novo estilo de vida. Os criadores da campanha quiseram aproveitar esse clima para que as pessoas comecem o ano pensando também em sua saúde mental. Este lado das emoções tende a ficar em segundo, terceiro, quarto plano porque ele não é algo concreto, eu não toco, mas eu percebo, o corpo capta, reproduz de uma forma muito vívida, seria um desamor próprio ignorar este lado do medo.

Com o decorrer dos anos o número de casos de pacientes com depressão tem aumentado?

Não só o aumento, como as formas de manifestar que tem ganhado um corpo em uma sintomatologia muito particular, e ganhando contorno percebemos uma cultura que o seu útero tem como elementos uma busca de tampar os sintomas onde talvez a causa, a dor, a angústia, aquilo que alimenta, que seriam os elementos causais, poucas pessoas teriam a condição mental de suportar isso. Então percebe-se que há uma tentativa muito grande de fugir e negar a dor do existir e poucas pessoas vão conseguindo adentrar o seu próprio universo em uma possibilidade de entrar em contato com essas angústias, com estes elementos, isso no sentido mais causal.

Este cenário denota a sociedade atual em que vivemos?

Trata-se de uma tendência, hoje tudo está muito rápido, acelerado, tudo muito tendencioso, pressão muito grande, isso pode fazer com que se perca o rumo, o prumo. A gente não se percebe na nossa potência, e isso acontece não só em algum momento, mas transita desde a criança até o idoso. Desejos, angústias e sentimentos que não são percebidos, elementos que não tenham só uma demarcação clássica, mas elementos particulares.

A depressão teria diversas formas de se manifestar?

Podemos pensar que só existe um modelo único para depressão e ela tem várias formas de aparecer, frente isso podemos entender que deveríamos buscar mais informações, mais conceitos com profissionais da área para não cair neste senso comum de achar que é um modismo, algo que passa. Precisamos pensar que todos os pilares que sustentam a individualidade e que não podem ser ignorados. Precisamos ter cuidado a não dependência da medicação, por exemplo, que em muitos casos isso acontece, porque se inicia um processo, mas não se pensa neste lado emocional e na dependência que este medicamento pode causar.

Pode se dizer que a depressão é um tabu?

Alguns vão tentar fugir por meio de drogas lícitas como bebida. Como a bebida poderia ser a possibilidade de fugirmos de elementos internos, isso demarca o tabu; temos feito uso de várias possibilidades para fugir do contato com o profundo, e isso transita pela família, mesmo porque é difícil para a mãe e o pai perceberem que o filho tão amado, tão querido também tem essa possibilidade, e de alguma forma os pais se questionam e se cobram. São tabus porque entramos em contato com este lado frágil do homem e não é fácil, é mais fácil colocar um verniz onde isso é pouco falado, mas é muito vivido e muito escondido ainda, falamos de um grande tabu social.

A ansiedade também tem sido recorrente?

Antigamente a sociedade só chegava ao nível de pressão do adulto após os 18, 20 anos de idade, e hoje, talvez por inúmeros elementos que vão transpassar nossa cultura, boa parcela de crianças tem acesso a uma pressão desde a menor idade, pela quantidade de estímulos, não raro crianças com bruxismo, ansiedade aparecendo por meio de traços de violência, agressividade. E às vezes, por meio destes comportamentos, a criança está apenas pedindo atenção, cuidado, afeto. Essa ansiedade demarca também uma sociedade que cobra muito de fora para dentro e de dentro para fora.

Quais são as formas de pressão exercidas sobre as crianças?

Existe muita pressão, a escola que eu pago para você, aquilo que eu faço por você, como se a criança fosse um mini adulto. O brincar, o lúdico são muito importantes e estão ficando de lado, e uma criança sem viver este lado lúdico vai ficar com alguns elementos comprometidos como a criatividade, a espontaneidade, a leveza e as relação sociais. Numa simples brincadeira como pique esconde é apreendido, assim como reações com o sexo oposto, quando ganha, quando perde, isso tudo tem regras que vão chegar até as regras de um casamento, por exemplo, regras sociais. Isso está ficando muito intenso nas crianças de um tempo para cá, porque até 50 anos atrás era um modelo castrador onde se falar em sexo era impossível. A educação era pelo olhar, talvez até pelo medo, hoje talvez a gente tenha saído do não posso, para a liberdade que pode até transitar por uma libertinagem.

Dentro deste tudo é possível, onde existe uma diretriz segura neste modelo de família que não consegue ficar tão próximo dos filhos. Eu não questiono isso por questão ética, é um modelo social. A criança sente isso, sente esta ausência materna e paterna.

Talvez a moeda de troca sejam os brinquedos, o celular, que é um estímulo visual. Estes estímulos visuais constantemente e intensamente alteram o nosso organismo. A respiração fica mais encurtada, e isso altera o nosso modelo natural de como a gente nasce, de respiração, de percepção, o sono tende a ser aquele que o corpo tende a desligar, mas a mente não para de produzir pensamentos. Isso tem acontecido desde a menor idade, algo que antigamente era quase impossível de se pensar que chegaria a este ponto.

O número de pacientes do sexo feminino é maior?

As mulheres tendem a buscar ajuda com mais frequência. A construção do homem, gênero, tem estes elementos; daquele que não chora, mas acaba chorando por outras vias, se não é do olho para fora é de outras formas, como o cansaço, a agressividade, são formas de comunicar algo, e a pergunta é: até que ponto vamos ignorar? Trata-se de uma questão social e não algo particular.

De que maneira as pessoas tem agido para camuflar estes transtornos mentais?

Uma coisa que demarca muito este cenário é o ato de chegar em casa e ouvir uma música, ligar a televisão. Às vezes estou apenas ouvindo música para tampar o silêncio do meu grito, esse silêncio grita tanto que preciso de algo para falar, de um som. Uma parcela da população tem este hábito de buscar elementos externos para tampar algo, passar uma máscara, mas isto tem um prazo de validade, em algum momento precisamos entender quando aquilo começou.

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