Segunda-feira, 01 de Junho de 2020
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Coluna: Pergunte ao Doutor

sáb, 23 de maio de 2020 00:01

Abertura-pergunte-ao-doutor

 

1-Por que os jovens começam a beber cada vez mais cedo?

Sabe-se que o início do consumo do álcool envolve muitas variáveis, entre elas a curiosidade, a busca de sensações agradáveis e influências grupais. Associado a tudo isso, temos uma sociedade na qual o uso de álcool por jovens é habitualmente encarado como algo normal e corriqueiro, mesmo quando realizado de forma prejudicial e de alto risco para o indivíduo. Os “porres juvenis” muitas vezes são encarados como símbolo de entrada no mundo adulto e até glamurizados. Vemos festas de 15 anos onde a oferta de bebidas alcoólicas é abundante e ocorre de forma livre e patrocinada pelos pais do aniversariante. Paralelamente, temos também visto uma redução da idade de entrada na adolescência e da vivência de comportamentos típicos desta fase, tais como ter autorização para sair à noite com amigos, frequentar festas e baladas, entre outros.

Todos estes fatores, a meu ver, somam-se e contribuem para esta redução na idade de início do consumo de álcool que tem sido observada.

 

2-Que medidas podem incentivar os jovens a beberem menos?

As ações voltadas a esse propósito podem acontecer em diferentes níveis ou contextos. No caso do adolescente, os contextos dominantes são a família, seus pares e a escola, bem como o entorno da comunidade. De modo geral, são medidas preventivas ao uso nocivo do álcool: reforçar com consistência atividades que favoreçam a socialização; promover o desenvolvimento das habilidades acadêmicas e sociais dos jovens; criar oportunidades para o envolvimento familiar; estabelecimento de expectativas claras por parte dos pais e professores aliada a uma educação com autoridade, que envolve afeto, controle e trato democrático; compartilhamento de valores, atitudes e crenças sobre uso de álcool e drogas, fundamental para o amadurecimento das decisões e da responsabilização; conhecer os amigos e os pais dos amigos dos filhos, uma vez que a pressão dos pares é uma das principais influências para o uso problemático de álcool; e incentivo ao engajamento nas atividades da escola, da comunidade e em movimentos sociais.

 

3-Pessoas que começam a beber mais cedo têm mais tendência à dependência?

O uso indevido de álcool, de forma precoce, é um fator que predispõe o indivíduo a ter diversos problemas, não só de saúde, mas também sociais e econômicos. Vários estudos que investigaram o uso de álcool na população mais jovem apontam que começar a beber cedo, principalmente antes dos 16 anos, aumenta o risco de uso abusivo/dependência de álcool na idade adulta, em ambos os sexos.

 

4-Conviver com adultos que bebem é um incentivo para os jovens beberem? O que pode ser considerado um incentivo?

Sabe-se que a atitude do adolescente com relação ao uso do álcool e de outras drogas é influenciada pelos modelos familiares. O que se observa é que os padrões de comportamento dos pais e as interações familiares, e não só o fato de eles beberem, são, em boa parte, responsáveis pelas atitudes dos filhos.

Por outro lado, a dependência de álcool de um ou ambos os pais com frequência traz (ou agrava) conflitos familiares e situações que podem ser bastante sofridas e difíceis para os filhos. É uma situação considerada como fator de risco, que aumenta a vulnerabilidade do indivíduo ao uso problemático de álcool e drogas.

Por fim, é importante ressaltar que não é apenas o fato dos pais beberem ou não, mas outras atitudes dos pais também têm peso nessa equação: permissividade, falta de diálogo, instabilidade dos vínculos afetivos entre membros da família, entre outros.

 

5-Quais são os possíveis prejuízos à saúde causados pelo uso do álcool desde a adolescência?

Primeiramente, quero reforçar o fato já referido de que iniciar precocemente o uso de álcool aumenta o risco de dependência no futuro. O sistema nervoso central do adolescente ainda está em desenvolvimento e isto traz maior vulnerabilidade e risco.

Quanto às repercussões diretas do uso de álcool, elas podem ocorrer a curto, médio e longo prazo. O álcool é uma substância psicoativa que pode ter efeitos importantes sobre o comportamento. Após o uso da bebida, podem inicialmente surgir efeitos como desinibição, maior facilidade de se comunicar, inquietação etc. Posteriormente, fica mais evidente sua ação depressora sobre o sistema nervoso central, podendo ocasionar perturbação da consciência (isto é, diminuição da clareza de percepção do ambiente), com redução da capacidade para focar, manter ou transferir a atenção.

Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas, por exemplo, comportamento agressivo e inadequado, labilidade do humor, perturbações do discernimento ou da capacidade de julgamento, perda da coordenação motora, marcha instável, aumento do tempo de reação (o que coloca o adolescente em maior risco de acidentes), problemas de atenção e memória e até mesmo estupor e coma (casos de intoxicação graves).

Diminuição do rendimento escolar, dificuldades de aprendizado/memorização, diminuição do funcionamento social ou ocupacional, sintomas depressivos, aumento do risco de suicídio.

No que diz respeito ao uso de álcool por adolescentes, é muito importante ter em mente que este uso, especialmente no padrão de “binge drinking” (beber uma grande quantidade numa única ocasião) tem sido associado a uma maior exposição por parte do indivíduo a comportamentos de risco, como dirigir embriagado ou aceitar carona de alguém que bebeu, praticar sexo sem proteção, envolver-se em brigas e situações de violência física etc. Estes riscos por si só merecem atenção adequada por parte dos familiares, educadores e pela sociedade em geral. Por trás destes comportamentos de risco, estão as alterações provocadas pelos efeitos do álcool no organismo (redução da capacidade de julgamento crítico adequado, aumento da impulsividade, desinibição, redução dos reflexos e da atenção etc.).

 

6-Em termos práticos, como uma família pode ajudar um jovem que faz uso excessivo de álcool a mudar de atitude?

A utilização das substâncias psicoativas, entre elas o álcool, permeia a cultura da adolescência à velhice. Sabe-se hoje que o ambiente familiar exerce influência significativa sobre a atitude dos adolescentes em relação ao álcool. São considerados fatores que protegem o adolescente do uso problemático de álcool: estabelecimento de vínculos familiares fortes, apoio da família ao processo de aquisição da autonomia pelo adolescente, estabelecimento de normas claras para os comportamentos sociais, incluindo o uso de álcool e outras drogas, e estratégia participativa de comunicação entre os membros da família (onde situações de conflito são discutidas com sentido de responsabilidade e com a preocupação em considerar a opinião do adolescente)

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