Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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Meio Desligado – Assista Aquarius, você vai rir pra caramba

qui, 9 de março de 2017 05:40

meio desligado

Já se passaram meses desde o lançamento do filme que gerou polêmica por conta de um protesto dos atores contra o governo Temer em Cannes, mas só agora assisti “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho (O Som Ao Redor). Meu namorado arrumou uma cópia pirata com uma amiga e insistiu para que eu visse do que se tratava, ótimo conselho. Resolvi contrariar o Reinaldo Azevedo e olha só, agora tenho assunto para a coluna.

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A protagonista é uma jornalista aposentada interpretada por Sônia Braga, que superou um câncer na juventude e é a última moradora do edifício Aquarius. Todos os demais apartamentos foram comprados por uma construtora, que pretende demolir o prédio para construir outro maior. No entanto, ela, recusa as ofertas milionárias e insiste em continuar vivendo sozinha no apartamento onde criou os filhos. Mas a construtora não vai desistir tão fácil, e começa a atrapalhar a viúva para que ela desista do apartamento.

Clara é o estereótipo do esquerdista classe média: zen, de bem com vida, dinheiro não é preocupação, bem resolvida sexualmente, liberal, amante das artes e de bons vinhos, prefere o vinil mas também curte um MP3, “good vibes” total, que só perde a paciência quando ofendida por playboyzinhos. Suas falas são carregadas daquela ironiazinha chata que só pessoas que se consideram muito santas conseguem ter. Como diria o Pondé, a Clara anda e transpira como se seu suor abençoasse o mundo.

Algumas sequências do filme são piegas e chegam a ser inacreditáveis. Numa delas, a protagonista entra numa discussão com a filha. Preocupada com a mãe vivendo sozinha no prédio, sugere que ela aceite a oferta milionária da construtora malvada. Clara se nega, afinal, o apartamento a faz lembrar-se da tia etc. Ela não só nega, como fica exaltada e depois cantarola para a filha uma indireta musical (“Paulinho da Viola: há pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração) naquele tom de ironia que falei acima. Dá a entender que a filha se preocupa excessivamente com bens materiais. Faz questão de deixar claro que dinheiro não é problema, pois aluga cinco apartamentos e pode ajudar a filha.

O que dizer então do “taxista reaça”, figura folclórica criada na internet para representar o pensamento retrógrado e preconceituoso da direita? Saiu direto de uma fanfic daquelas bem melodramáticas para ilustrar uma crítica social foda contra o machismo patriarcal. De tão caricatural, caí na gargalhada. É possível perceber qual foi o intuito do diretor, mas exageros como este tiram o realismo do filme.

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Clara parece tão preocupada com os outros e desligada de bens materiais, mas está evidentemente ligada a bem material. Afinal, as memórias dos dias bons não estão em tijolos e cimento e ela possui outros cinco apartamentos. Os demais moradores do edifício Aquarius não receberam dinheiro pelo apartamento, trocaram o antigo por um novo na planta do futuro empreendimento, que estão sendo prejudicados com a recusa dela em se mudar. A atitude dela representa um ato de resistência e uma crítica ao conceito de progresso etc. Sob outro prisma, é uma pessoa colocando seu interesse individual acima do interesse coletivo, não que haja algo de errado nisso, mas me parece que esta não é bem a filosofia de quem produziu e atuou no filme.

No final das contas, Aquarius é um filme medíocre, o retrato do ponto de vista distorcido de uma parcela da sociedade, que denuncia sem perceber a hipocrisia de si própria.

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