Sexta-feira, 19 de Abril de 2019
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Terra em guerra

qui, 21 de agosto de 2014 00:00

ABERTURA DEBAIXO DO PE DE LIMAO
Priscila Diniz    

No dia 12 de junho começava a Copa do Mundo, no Brasil. Na Palestina era só o começo de mais um dos conflitos entre o meu povo e os israelenses. Enquanto todas as nações voltavam suas atenções para a terra do samba e pandeiro, aqui  no Oriente médio, as faíscas de uma duradoura guerra se tornaram chamas fortes e viraram notícia em todos os jornais. Três estudantes israelenses pediam carona em Gush Etzion, um bloco de colônias situado entre as cidades palestinas de Belém e Hebron.. Eles  não chegaram à Jerusalém. Foram seqüestrados e em 30 de junho, seus corpos foram achados com marcas de tiros.

O governo Israelense acusou, como responsáveis pelas mortes, o grupo Hamas, Movimento de Resistência Islâmica, que controla a Faixa de Gaza. Era pra ser uma terra abençoada, mas não é. Os ataques com bombas começaram. Depois fiquei sabendo que como resposta à morte dos três estudantes, extremistas israelenses sequestraram um adolescente palestino e a autópsia confirmou que o garoto foi queimado vivo, 90% do corpo carbonizado. É inaceitável saber que esta guerra ainda persiste. Para nós, civis, é sofrimento demais. Não há como fugir, dos extremistas de ambos os lados que protagonizam bombardeios.

Em pouco mais de dois meses de conflito, vi crianças morrerem dormindo e pais de família não voltarem para casa. É um dor enorme. Precisamos de paz para viver e criar nossos filhos. Somos um povo sem pátria e sem destino certo. Peço paz para a Terra Santa.”

O desabafo, que acontece todos os dias, vem de uma mulher sem rosto da Palestina, como poderia vir da Ucrânia, do Sudão ou do Iraque. Pode vir também do Shopping Park ou de outro bairro de Uberlândia, como do centro da cidade. A convivência entre os seres humanos está permeada pela violência e morte. No Brasil sem “guerras”, em média, em 2012, 154 pessoas morreram por dia, em decorrência da violência. Em dez anos, isso significa 556 mil mortos, colocando o Brasil em 7º lugar em violência, em um conjunto analisado de 100 países, atrás da Venezuela, Colômbia e Trinidad e Tobago. Em 2012, segundo o Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos, morreram 30.000 jovens e negros, vítimas da violência, ou 2.500 por mês. Para se ter idéia da dimensão da guerra brasileira, na Palestina, em contagem do final de julho, em 21 dias, morreram 1.100 palestinos, metade da média mensal de mortos, no Brasil pacífico.

Entre janeiro de 2012 e abril de 2014, Uberlândia teve 423 mortes violentas, das quais 238 envolveram homens com até 30 anos de idade. Foi-se o tempo em que um jovem podia andar pela madrugada na cidade, sozinho ou em turma, sem correr risco. E se é rapaz, jovem e negro, o medo cresce exponencialmente. Coitado se costuma andar de boné e camiseta escura, como muitos jovens se uniformizam, aí além do perigo natural das ruas, ainda há o preconceito social, que o tem, como suspeito e não se indigna com a violência que venha a sofrer.

Nos aquietamos com a violência. O olhar não se indigna com nada. É como se fosse um costume: todos os dias, ao ligarmos nos “chumbos da vida”, temos no café da manhã, os mortos do dia anterior e até nos frustramos, quando nada acontece. Ao perdemos a capacidade de nos indignar, estamos aceitando como normal coisas que na realidade são horrendas e injustificáveis. Então em pleno período eleitoral, um pedido : haja paz!

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