Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
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O poeta que tinha medo do escuro

qui, 12 de junho de 2014 00:00

Abertura Pensando Bem
Era uma vez um poeta judeu, que se chamava Baruch, um homem de poucas palavras, minucioso e muito sábio. Morava sozinho no alto de uma bela colina, onde a vista pela janela do sótão antigo onde escrevia, era praticamente uma visão do paraíso. Apesar de quase não sair de casa, Baruch era muito conhecido em sua tradicional cidade,  suas poesias eram simples e profundas, e maravilhavam todos que as liam ou as ouviam nos recitais ou saraus promovidos pelo velho teatro da cidade.

Embora fosse um homem formidável, possuía uma particularidade, ele simplesmente tinha horror a sombras, sua maior fraqueza era o medo do escuro. Todas as tardes, pouco antes do sol se pôr, tomava seu remédio, preparava sua cama para dormir e não ter que presenciar a escuridão da noite. Baruch só acordava quando a luz gerada pelo sol batia em sua janela.

Ele escrevia sobre o sol, sobre as flores, sentimentos e muitas outras coisas lindas, mas nunca a respeito do luar ou da beleza das estrelas, afinal ele não suportava a noite. Certo dia, por um descuido, se esqueceu de que seus remédios para ajudá-lo a dormir mais, haviam acabado, quando se deu conta, o sol já estava quase se pondo. Subitamente, o desespero que acelerava-lhe o coração, o fez descer os velhos degraus rapidamente, para ir a farmácia que ficava a meia hora dali.

Baruch pegou sua bicicleta enferrujada e pedalava quase contra o tempo, para chegar a farmácia do senhor Alli e não ter que presenciar o anoitecer. Ao entrar no local, abriu um sorriso de alívio e disse: – Senhor Alli, preciso de meu sonífero! Dê-me três cartelas! Foi quando para sua surpresa ouviu a seguinte resposta: – Seu medicamento está em falta… Baruch gritou e deixou escapar: – Como vou dormir? Tenho medo do escuro!

Atônito, o senhor Alli respondeu pacientemente: – “O medo é relativo, meu jovem! Existem percas que geram ganhos, hoje você perdeu seu remédio, para enfrentar seu medo e conhecer o que há de mais belo na escuridão”. Baruch, se sentiu um zero à esquerda como poeta, naquele momento. Abraçou o velho Alli, despediu-se, respirou fundo e seguiu viagem de volta para casa.

No caminho, por alguns momentos ouviu ruídos e sentiu frio, mas lá estava ele, caminhando na calada da noite, encarando seu medo. Em troca, descobriu que a lua também tem sua luz e que as estrelas são as joias do planeta terra. Assim, Baruch se libertou dos soníferos e do medo que o aprisionava, passou a acordar a noite porque ela se tornou a ser sua maior inspiração.

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