Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
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O país sem heróis, por Alzira Corrêa

qui, 29 de janeiro de 2015 14:13

ABERTURA DEBAIXO DO PE DE LIMAO
Alzira Corrêa

O Brasil viveu uma catarse no mês de janeiro. Segundo Aristóteles, catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama. Marco Archer, paranaense de 54 anos, foi fuzilado na Indonésia, após um processo de onze anos e esgotadas todas as apelações possíveis. Archer tentou entrar no país, com treze quilos de cocaína pura, escondidos em sua prancha de surfe. A polícia do aeroporto de Jacarta desconfiou e a batida das pontas dos dedos na prancha revelou, pelo barulho, a parte onde Archer tinha escondido a mercadoria.

    A Presidenta pediu clemência e determinou o retorno do embaixador do Brasil no país, a fim de esclarecer os fatos (mais uma balela da turma). Archer morto, foi cremado. Até aí, nada a comentar, a não ser a discordância com a pena de morte, mas o que me assustou foi a fala da ex Secretária dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, sobre o destino das cinzas de Archer: “Archer não é um herói, é um traficante”.

    Marco Archer nunca trabalhou. De classe média alta, sempre foi traficante, isso por vinte e cinco anos. Aos dezessete, se ligou a cartéis colombianos (assim de cara) e começou a levar drogas para lugares ricos. Isso no circuito Colômbia, Brasil, Amsterdan. Depois para a ilha de Bali na Indonésia, paraíso dos mais ricos do planeta. Na prisão na Indonésia, enquanto pode, e com seu farto poder de convencimento, comprou todas as regalias, como jantares chiques, visitas amorosas, festas.

    Segundo os amigos, o grande mérito foi nunca ter matado. O irmão de Archer, Sérgio, morreu por overdose. Drogado, tinha o costume de espancar a mãe, que morreu há três anos, vítima de câncer.

    Esse é Archer.

    O Brasil tem uma característica muito interessante: não tem heróis. Buscando na história de quinhentos anos, há o dentista Tiradentes, que atuou na Inconfidência Mineira. Dom Pedro I que declarou a independência do Brasil e quem mais? Isabel da lei áurea, Getúlio com as leis trabalhistas, Juscelino com Brasília, Airton Senna com as vitórias, ou o rei Pelé? Xuxa também ou será melhor, “o cara” Lula? Onde estão nossos heróis?

    Em qualquer país que se vá, as ruas estão pontilhadas por estátuas de heróis: Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Pablo Neruda, De Gaulle, Lênin, Kennedy, Mandela. E nós, fazer estátuas de quem? Na nossa praça Tubal Vilela, a cabeça sem ombros de Juscelino. E quem mais?

    Quem mereceria tanta homenagem? Nunca tivemos guerras e hoje, muitos brasileiros nem sabem que alguns foram lutar na Itália. E olha que nossos soldados sequer tinham roupas e armas apropriadas pra luta.

    Alguns heróis são prêmio Nobel de algo, mas o Brasil não tem nenhum. Alguém vai falar que Nobel só vai pra o primeiro mundo, mas e o Chile que tem tres. Temos grandes cientistas, mas são anônimos pra geral.   

    Alguns tidos como heróis, não resistem a uma investigação e o povo sabe disso (embora continue votando na turma). Até os generais que viveram como heróis, por certo tempo, estão sendo desbancados. E herói, hoje, acredite quem quiser, é o guerrilheiro Carlos Marighella.   O Collor foi construído, pela mídia, como o salvador da pátria e de repente, o caçador de marajá virou o mico do deu no que deu.

    Voltando ao suposto herói Archer, cujo mérito foi o de ser o primeiro brasileiro condenado e executado, creio que herói mesmo foi a mãe dele. Um filho viciado e violento, que muito jovem se embrenhou nas drogas e o outro patrono do infortúnio de milhares de jovens, pelos seus vinte e cinco anos de traficante, é dose pra qualquer mãe.
    Penso na sua tristeza diante da constatação da derrota do seu projeto de família. Penso no heroísmo de milhões de mães brasileiras que lutam pra tirar seus meninos desse caminho, tendo como horizonte apenas os olhos vermelhos da congestão típica dos viciados, a magreza, o declínio do viço, a falta de futuro. Mulheres envelhecidas, enrugadas pela dor da lenta perda. Essas são heroínas e quem sabe, se pudessem pagar o preço de uma cremação, poderíamos homenagear suas cinzas.

    O filosofo Aristóteles fala da purificação da alma após um grande drama. A catarse tupiniquim pelo fuzilamento de Archer não foi demonstrada pelos ativistas dos direitos humanos, em relação aos que treze que levaram bala perdida, nas favelas do Rio de Janeiro, de uma semana pra cá, em um cenário que o secretário de segurança Beltrame, classificou como uma “nação de criminosos” traficantes.  

    Me desculpem os ativistas, mas Archer é apenas um traficante. Assim disse a Maria do Rosário.

Obs:
Falar em herói, lembrei-me de um. Quando é mesmo que o juiz Sérgio Moro volta das suas merecidas férias?

1 Comentário

  1. Daniela Camargo disse:

    Bom dia! Acabo de ler este artigo… Realmente, fazendo uma reflexão na atualidade, podemos concluir que os heróis brasileiros são considerados seres inexistentes, idealizados, utópicos, ou simplesmente estão esquecidos num passado distante. Analisando a história e a cultura brasileira, buscando pontos positivos e significativos capazes de nos inspirar no Presente, encontramos sim muitos heróis e heroínas. Encontramos seres humanos ora comuns ora bem conhecidos e de destaque, tanto nacional como internacionalmente. Dentre os mais conhecidos, há pessoas que nos deixaram contribuições importantes no campo das Artes, da Música, da Literatura, da Educação, das Ciências, da Medicina, da Arquitetura, da Engenharia, da Aeronáutica, da Física, da Criminalística, de muitas outras áreas do Conhecimento e, também da Política. Podemos dizer sim que temos heróis! Temos grandes mestres nos quais podemos buscar inspiração para transformar o Brasil! Temos um grande patrimônio cultural e humano. Temos capacidade de buscar e valorizar o Conhecimento, de aplicá-lo no processo de evolução da nação brasileira. Apenas somos uma nação carente de esperança, dominada pelo egoísmo, pela baixa autoestima, pelo marasmo e pessimismo, pelo conformismo diante de situações desastrosas do ponto de vista moral, ético e político. Acredito que houve e ainda há muitos heróis! O povo brasileiro em si, é uma população de heróis e heroínas que lutam diariamente pelo sustento de suas famílias; que têm de conviver com o descaso das autoridades constituídas, que driblam as dificuldades e a escassez constante de recursos econômicos e segurança; que têm na classe política apenas exemplos de desonestidade e egoísmo. Além desses heróis comuns, que somos todos nós cidadãos, há aqueles que não se conformaram com seu tempo. Podemos contar sim com os exemplos das grandes personalidades que deixaram importantes contribuições relacionadas aos campos supracitados, e que são referência para o Conhecimento da atualidade… os grandes intelectuais que construíram uma história, deixaram um legado, tinham esperança no futuro, viveram inconformados com as limitações de sua época, e nos deixaram conhecimentos valiosos que hoje são desvalorizados. O grande problema da Nação Brasileira é a falta de memória, é o descaso para com seus verdadeiros heróis nacionais… aqueles que focaram suas energias na construção de conhecimentos, nas revoluções intelectuais e políticas de seu tempo, nas obras que nos deixaram como sinal de inconformismo e esperança. Sobretudo, devemos nos espelhar nos heróis atuais que despendem um grandioso esforço na construção do Bem, no trabalho incessante, no anonimato ou sob os holofotes da mídia… sempre haverá heróis e heroínas em quem podemos e devemos nos espelhar! Parabéns pelo artigo que tanto nos faz refletir sobre o passado, o presente e o futuro que precisamos construir! Certamente, um canal importante da imprensa, como este importante Jornal, e os profissionais da mídia que trabalham pelo Bem e pra fazer um país melhor, são também verdadeiros hérois

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