Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
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O dia da gente, por Priscila Diniz

qui, 23 de outubro de 2014 10:48

ABERTURA DEBAIXO DO PE DE LIMAO
Priscila Diniz

E o celular grita bem alto logo de manhã. Automaticamente desligo o despertador e coloca na soneca. E, esta soneca, que normalmente duraria mais uns cinco minutos, quando abro os olhos já se passaram quase meia hora. Pulo da cama. Os pés quentes tocam o chão gelado. Com essa sensação percebo que mais um dia vai começar. Enquanto a escovo os dentes já visto a camisa e a calça. Ligo a cafeteira e corro para pentear o cabelo. Volto para a cozinha, jogo o café direto numa xícara grande, abro um pão com as mãos, coloco um pedaço de queijo e esquento por cinco segundos no microondas. A pressão me faz virar o café goela abaixo, pego a bolsa, agarro nos livros e saio correndo com parte do pão nas mãos.

O ônibus já passa lotado e mesmo assim me aperto para entrar, já que não quero perder o horário do trabalho. Hoje por exemplo, fiquei espremida na escadinha da frente. Não cabia mais uma agulha naquele coletivo! Até chegar ao trabalho é uma longa jornada de gente com mau humor, gente que fala alto, gente com cheiro de cigarro, gente com criança que chora gente que ouve músicas sem “foninho”, gente que se encarrega das flatulências em público, gente que conversa sobre tudo e com todo mundo, gente que vai trabalhar, gente que vai estudar, gente que procura emprego, gente de todo jeito, gente diferente, gente como a gente.

No trabalho o chefe já espera com cara de quem não gostou muito dos sete minutos de atraso. É claro, ele deve ter um jatinho particular, que o leva e busca onde quer, sem nem reclamar. Cumprimento a secretária da recepção e os colegas de trabalho enquanto me direciono rapidamente para o meu escritório.

Lá passo o dia todo, só saio para almoçar, quando me lembro. Depois volto pra casa, e só deixo para passear nos finais de semana. Quando olho no relógio e vejo que são seis horas da noite, uma alegria fora do normal toma conta de mim. Pego a bolsa e os livros, sigo para a faculdade.

Nesta última noite estive pensando sobre os meus dias. São sempre os mesmos, nas mesmas sequências. Preciso de mudanças. Estou apenas neste conformismo do trabalho, mesmo estudando, isto não atrapalha que eu mude meus objetivos e prospecte novos projetos. Acredito que existem muitas pessoas assim também. Aprendemos a nos acostumar com o que se torna rotina, e isso, muitas das vezes cega a nossa capacidade de arriscar e ganhar novas experiências. Por isso, fale com seu chefe, peça uma oportunidade, uma mudança de área, vire também um chefe. Cumprimente o porteiro, o guardinha e a recepcionista. Troque o pão com queijo e café por frutas e leite. Troque o penteado, a maquiagem, o estilo. Experimente. Reinvente. Transforme. Questione. Seja consciente. Ame a vida e viva amando.

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