Terça-feira, 25 de Junho de 2019
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Falando de “pé na bunda”, por Alzira Corrêa

qui, 13 de novembro de 2014 00:02

ABERTURA DEBAIXO DO PE DE LIMAO
Alzira Corrêa

Acabei de ler um artigo que trata das mulheres especiais que levaram um fora. Diz a autora que são mulheres lindas, com cabelos e roupas lindas, cultas, ganham bem, têm carro, mas que levaram um pé na bunda. Nos últimos dias, foi uma epidemia que vitimou várias das suas amigas e lá estão elas querendo saber o que fizeram de tão errado: se foi a celulite na perna esquerda, se ele viu que ela babava no travesseiro ou até que era culta demais.

Embora em outra ótica, lembrei da Ana Lúcia. Ela tem 25 anos e é de uma beleza diferente, daquelas das mulheres naturalmente chiques. Uma beleza que não precisa ostentar, nem se enfeitar demais que já é bonita. Inteligente como as mulheres da outra crônica, cabelão preto, olhos expressivos e uma simplicidade cativante, da gente querer por perto. Pois é, a Ana namorou por quatro anos um colega de trabalho que a esnobava. Sem ser bonito nem rico, mas especialmente mal resolvido, era o amor da vida da Ana. Por ele, ela se calou muitas vezes, diante das suas piadinhas sem graça de sogra, de cunhada, de papagaio. Riu amarelo diante das diretas de que jamais subiria ao altar, que não queria responsabilidade, que vida boa era a dele.

No último natal, Ana implorou por uma passadinha, rápida que fosse, na casa dela, só pra lhe dar um beijo. Ele negou. Ela chorou a desfeita, mas desculpou e… guardou tudo, como as mulheres sabem guardar. No ano novo, viajaram e foi outro sacrilégio. As viagens têm esse quê de especial: se a relação está boa, fica melhor, mas se está ruim, encosta no péssimo. Viagens são momentos de compartilhamento de vidas, e nada mais havia a dividir. O tal passou a semana na praia esnobando a Ana, cheio dar respostinha, por macheza ou complexo, sabe-se lá.

De volta, Ana se calou, foi pensar… e ele nem percebeu na sua soberba de macho, o perigo se anunciando: ia levar um pé na bunda. Um Deus nos acuda, de ameaça de suicídio até o anel de noivado, o rapaz usou, mas tudo já estava quebrado. A linha tênue entre o amor e o desprezo rompeu-se. A maioria das pessoas não imagina que o outro ousará cruzar.

As amigas da autora citada acima não entenderam a nobreza da atitude do antigo, que diante do desvanecimento do amor ou atração, tratou de dar o fora. É mais digno reconhecer que não se está afim e liberar o companheiro, do que bancar o machão e rebaixar o outro. Quem vive no polo de rebaixamento constante pode passar a vida com dúvida do que tem de tão errado, que mereça um emburrado e reclamão, que da vida a dois, só sabe criticar a roupa, o sapato ou até a risada do outro. Lidar com a falta de reconhecimento da pessoa que somos é o pior veneno para nós mesmos, que acabamos acreditando na nulidade da própria existência.

Ana Lúcia, dentro da sua luz interior, percebeu que a vida do jeito que estava acontecendo, era tudo que ela não merecia. O ex está, até hoje, tentando entender o que fez de tão errado, pra merecer o fora do tardiamente descoberto, amor da sua vida.

Meses depois, Ana continua linda e está feliz com um novo amor. O ex nem sonha, vai que ele se mata. Cruzes, aguentar um machão chato e ainda morto, ninguém merece, que se dirá a lindinha da Ana Lúcia.

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