Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
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Entrevista: Flávio Hirata, engenheiro agrônomo e consultor da AllierBrasil

qui, 10 de julho de 2014 00:25

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Por Priscilla Rocha

Flávio Hirata

Flávio Hirata

O Brasil é o país com maior potencial agrícola do mundo e, segundo pesquisas, está se tornando o maior exportador e produtor de alimentos do mundo, por isso, fabricantes de defensivos agrícolas investem no mercado brasileiro.

Com isso em vista, a AllierBrasil, empresa especializada em registro e mercado de defensivos agrícolas, e a CCPIT da China  organizam anualmente um evento, em São Paulo (SP), que visa fomentar negócios entre fornecedores de defensivos agrícolas estrangeiros e distribuidores locais, tendo como os principais participantes os chineses – Brasil AgrochemShow. Nesse ano, o 7° Brasil AgrochemShow acontece nos dias 18 e 19 de agosto. A taxa de inscrição é a doação de cestas básicas. 30 expositores chineses já confirmaram presença.

Os chineses são os maiores fabricantes e consumidores (em volume) de defensivos agrícolas do mundo. Até as tradicionais empresas globais de defensivos agrícolas têm alguns de seus produtos produzidos na China. Com isso, fabricantes chineses buscam parcerias com distribuidores no Brasil. Outro fator que facilita o diálogo entre os países e aumenta o interesse do país oriental é a China ser a maior importadora de soja do Brasil.

Falamos um pouco mais sobre o tema com o engenheiro agrônomo e consultor da AllierBrasil, Flávio Hirata.

Como o senhor avalia o mercado de defensivos agrícolas no mundo?
A demanda por alimentos no mundo é crescente e para acompanhá-la, através de produtividades cada vez maiores, além de outras ferramentas, o uso de defensivos agrícolas é fator fundamental para atendê-la.

Qual a participação do Brasil nesse mercado?
De acordo com as previsões da FAO, órgão das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, tem-se no Brasil o maior crescimento de produção de alimentos nesta década. O país já é o maior mercado em valores no mundo há três anos. Em volume, a China está à frente, mas deverá diminuir o uso/área em função do desenvolvimento de uma agricultura mais empresarial em detrimento a uma agricultura familiar, bem como em função do aumento dos preços dos defensivos agrícolas no mercado interno. O Brasil se destaca também com margens de vendas atrativas em comparação a maioria dos outros países de importância agrícola.

O Brasil é destaque no uso e descarte correto de defensivos agrícolas, porém ainda há barreiras para entrada e liberação de produtos. Quais são essas barreiras e por que elas existem? No Brasil é mais difícil a entrada que em outros países?
A primeira barreira para a entrada neste mercado refere-se ao registro de produtos. Um registro hoje pode levar entre três e seis anos para sua aprovação. São mais de 1.500 processos na fila para avaliação, com um número crescente de novas solicitações. Em contra partida o número de aprovações é desproporcionalmente inferior à demanda, mesmo levando-se em conta o número significativo de indeferimentos de pleitos de registros. Ou seja, cada vez aumenta o número de pleitos, e diminui-se o número de avaliações e aprovações. Inclusive para viabilizar as vendas do benzoato de emamectina no Brasil contra a helicoverpa, foi aprovado decreto presidencial permitindo a venda e aplicação do produto sem a obrigatoriedade do registro. Existem outras barreiras muito importantes que são distribuição e prazo de pagamento, por exemplo. Mas sem o registro, o potencial novo competidor fica alijado deste processo. Mais de 90% das empresas estrangeiras que nos procuram, incluindo grandes fabricantes dos principais produtos utilizados na agricultura do Brasil, acabam desistindo de um plano concreto para entrada no mercado por considerarem que o processo regulatório é imprevisível.

Quais os principais tipos de defensivos usados no Brasil?
Hoje os inseticidas são o principal defensivo utilizado, seguido dos herbicidas e fungicidas. Em valores de mercado bem menores, mas com mesma importância agrícola têm-se os acaricidas, bactericidas, adjuvantes, reguladores de crescimento.

Qual o faturamento do setor no ano passado? Há uma projeção para esse ano?
O faturamento foi em torno de US$ 11,5 bilhões. Um crescimento de 18% em relação ao ano anterior. Para 2014, as projeções são entre US$ 12,5 a US$ 12,8 bilhões, podendo superar as expectativas.

Como está, atualmente, a aceitação dos produtos chineses e indianos no mercado nacional em relação a registros e também uso pelos produtores rurais locais?
Os produtos chineses e indianos têm uma boa aceitação no mercado. São produtos de qualidade e preços muito competitivos. Empresas globais também estão desenvolvendo parcerias com fabricantes destes países. Obviamente cabe ao distribuidor fazer sua parte em divulgar e demostrar a qualidade do produto. Por este motivo marcas pouco conhecida terão mais dificuldade para ganhar a confiança dos agricultores. Sobre registro, é fundamental que o novo entrante tenha conhecimento sobre os procedimentos de registro de produtos no Brasil, que tem muitas peculiaridades e é diferente de qualquer outro país do mundo. Um produto que tenha sido registrado lá fora, não significa que terá seu registro aprovado no Brasil. Todavia desde que começamos a discutir registro de produtos com empresas chinesas e indianas, há quase 15 anos, o aprendizado por parte deles têm sido substancial. Por outro lado, como sempre novas empresas interessadas nos procuram para acessar o mercado brasileiro, há um trabalho de aprendizado que começa praticamente do zero.

Como surgiu a ideia de se promover uma feira para unir fabricantes e distribuidores de defensivos?
Este evento é resultado de uma parceria entre a AllierBrasil e a CCPIT da China. As empresas chinesas têm produtos de boa qualidade e baratos, mas têm dificuldades para acessar o mercado brasileiro pelos motivos mencionados anteriormente. As empresas estabelecidas no Brasil têm experiência neste mercado, mas nem todas têm acesso às fontes apropriadas de fornecedores. Então promovemos a cooperação entre as partes. Hoje a feira não está restrita a expositores chineses; todavia. Desde a 4° edição do Brasil AgrochemShow, a participação de representantes de empresas da Índia, Europa, Ásia, América Latina e Estados Unidos é cada vez mais importante. Vale salientar que daí surgiu outra ideia para divulgação do agronegócio brasileiro. Com ênfase mais na parte regulatória e sobre características do mercado realizamos em janeiro o Fórum AllierBrasil em Hanghozu na China, e ainda neste ano realizaremos a edição na Índia.

Qual a expectativa para essa edição do evento?
De acordo com os expositores já confirmados, muito deles estão vindo ao Brasil pela primeira vez. Isto proporcionará novas parcerias com empresas não somente do Brasil, mas igualmente com empresas de outros países da América do Sul. Queremos salientar que temos uma grande expectativa também na arrecadação de doações de cestas básicas que serão destinadas a uma instituição de caridade. Até então a entrada que era gratuita, agora será em forma de cestas básicas. Num mercado tão atrativo assim, é a nossa contribuição social, adicionalmente ao desenvolvimento de parcerias comerciais.

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