Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
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Ficha Técnica – Sobre vozes que voam

qui, 9 de novembro de 2017 05:45

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O relógio apontava 23 minutos da primeira etapa. Era confronto de opostos. De um lado, o gol era sinal de andar mais sereno rumo ao paraíso. Do outro, seria um suspiro da sobrevivência. A lentidão do tempo corria inversamente proporcional ao turbilhão de emoções que remoía no estômago daqueles 22 marmanjos sedentos por uma fatia do bolo, mas a dona da festa sequer entraria no salão. A andança dela é outra, num ambiente dominado pelo pseudo-intelectualismo masculino de especialistas sem diploma. É gol do América-MG! Quem cantou a pedra foi Isabelly Morais, a primeira narradora do jornalismo mineiro.

Aos 20 anos, a estudante de jornalismo foi não apenas um ingrediente a mais na vitória do América sobre o ABC na última terça-feira (7), em Belo Horizonte, pela 34a rodada da Série B. Ela foi a receita completa de como ainda temos a aprender quando debatemos comunicação esportiva, sobretudo, em Minas. Da mesa de buteco até a cabine do estádio Independência. Do machismo justificado pelo ópio do povo e o narcotráfico da mídia, como dizia Millôr Fernandes, Isabelly se libertou, e foi ainda mais além graças ao furacão americano.

Isabelly Morais no Mineirão *Arquivo Pessoal

Isabelly Morais no Mineirão
*Arquivo Pessoal

 

Aos 24 minutos da segunda etapa, Gérson Magrão, aquele mesmo envolvido na negociação que levou o atacante Fred ao Cruzeiro em 2004, bateu com maestria a cobrança de escanteio pelo flanco esquerdo. A bola viajou a área do time potiguar, que assistiu com privilégios o zagueiro e capitão Rafael Lima emendar para o fundo das redes de cabeça. “Marca dois, Karina!” – indicou Isabelly para a repórter. A Rádio Inconfidência estava em festa, e não menos crucial era a figura de José Augusto Toscano, o qual abriu o microfone para sua estagiária.

Inapelável, o América abreviou qualquer alternativa do time do Rio Grande do Norte, que começa a digerir a queda para a terceira divisão. Agremiações de histórias similares pelos recordes de decacampeões estaduais conquistados em seus anos dourados, e que hoje avançam em rumos distintos. Com o triunfo, o Coelho iguala o Internacional na liderança da Série B, com 63 pontos, mas com um embalo ainda maior a três rodadas do fim.

Isabelly é a voz que eternizará o desfecho da campanha americana no caminho de volta à elite nacional. Alguém que jamais conheci e sequer sentirei na pele as mesmas amarguras e andanças percorridas. Nem por isso, entrarei nas dificuldades de ser mulher numa sociedade absolutamente machista. A hipocrisia bate incansáveis vezes na porta para podermos convidá-la dessa maneira. A conquista da jovem mineira é de todas as mulheres, mas a lição é para todos, sobretudo, da comunicação. A rádio ainda ensina, e num país de Temer, Bolsonaro e Silas Malafaia, nenhum homem é dono da palavra, muito menos de um grito de gol. Marque quantos quiser, Isabelly! O gol é seu.

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